Os outros

|
Os outros são ótimos. Têm as melhores qualidades do mundo. Eles me divertem, me fazem rir quando estou triste, me fazem feliz quando eu penso que será impossível. Os outros são indispensáveis à minha vida. Eles sempre estão comigo, não importa onde eu esteja. Eu adoro os outros. Sério, acho que não consigo ver minha vida sem eles. Sabe aquelas pessoas que simplesmente nasceram pra aparecerem na sua vida e te fazerem pensar que ela, apesar de tudo, é realmente linda? É assim com os outros. Eles são praticamente isentos de defeitos. Sério. E não é exagero meu não. Não é mesmo. Eles são fodas!


Os outros só têm um defeito. E esse defeito esmaga todas aquelas qualidades citadas acima. Sério. Esse defeito faz com que tudo mude. Que imenso defeito é esse? Simples. Eles não são vocês. Obrigado por fazerem a minha vida muito mais feliz.

O Segredo d'O Segredo d'O Segredo d'O Segredo

|
Depoimentos de quem faz uso da Lei Da Atração

- Eu quero perder dez quilos. Estou pensando que vou conseguir perder dez quilos. Eu vou conseguir perder dez quilos! Pensar dá uma fome... Vou pegar o pudim na geladeira.

- Eu quero arranjar um emprego. Estou pensando que vou conseguir arranjar um emprego. Eu vou arranjar um emprego! Pronto. Agora é só esperar o telefone tocar enquanto eu fico deitado na minha cama lendo gibi.

- Eu quero passar de ano. Estou pensando que vou passar de ano. Eu vou passar de ano! Bem, eu tenho prova amanhã, mas como já pensei positivo, eu vou passar o resto do dia jogando videogame.

- Eu quero me curar do câncer. Estou pensando que vou me curar. Eu vou me curar! Pra quê quimioterapia se eu tenho O Segredo?

- Eu quero achar cem reais na rua. Estou pensando que vou achar cem reais na rua. Eu vou achar cem reais na rua! Pronto. Estou indo abrir a porta.

- Eu quero comer uma lasanha. Estou pensando que vou comer lasanha. Eu vou comer lasanha! (...) A campainha tocou? Será que é o entregador de lasanhas que veio atender meu pensamento?

- Eu quero viajar. Estou pensando que vou viajar. Eu vou viajar! Tchau. To indo pro aeroporto pegar meu voo.

- Eu quero conhecer a Alanis Morissette. Estou pensando que vou conhecer a Alanis. Eu vou conhecer a Alanis! Meu celular está tocando... Será ela?

(...).


Conclusões

Conclusão I: Lei da atração é coisa de gente preguiçosa.

Conclusão II: É como diz o meu primo: O segredo é você dizer pra todo mundo que tem um segredo e que este segredo só será revelado a quem comprar o livro onde você o publicou. Aí você vai ganhar um dinheirão enrolando os bestas. Este é o segredo.

Conclusão III: Se você não teve a ideia de pensar em um segredo, você arranja um segredo já publicado e cria livros a partir dele, com títulos super criativos como: “O Segredo d’O Segredo” ou “O Segredo d’O Segredo d’O Segredo” ou até “O Segredo d’O Segredo d’ O Segredo d’O Segredo”.

Conclusão IV: Você só vai perder dez quilos se parar de se empanturrar de comida. Você só vai arranjar um emprego se sair por aí espalhando seu currículo. Você só vai passar de ano se você estudar ou pescar de alguma pessoa que estudou. Você só vai se curar do câncer se fizer tratamento. Você só vai achar cem reais na rua se tiver muita, muita sorte. Você só vai comer uma lasanha se preparar uma ou pedir a alguém que prepare pra você e essa pessoa se disponha a isso. Você só vai viajar se comprar a passagem. Você só vai conhecer a Alanis Morissette se, no mínimo, estiver na mesma cidade que ela e tiver muita, muita, muita, mas muita sorte mesmo.

Conclusão V: Eu tenho transtorno obsessivo compulsivo. E essa quinta conclusão foi só para que as conclusões fossem cinco, um número muito mais bonito que quatro.

Don't speak

|
(...) Então, depois de tudo o que passaram juntos, depois de todo o amor que sentiram, depois de tudo o que fizeram um pelo outro, ele se aproximou dela e deu-lhe um abraço apertado. Um abraço tão sincero que derramou lágrimas dos olhos dele. Tocou a bochecha esquerda dela com os lábios e, quase sussurando em seu ouvido, disse:

- Já é hora de dizer adeus.

Depois de desfeito o abraço, ele olhou para ela esperando algum tipo de resposta. Ela não falou nada. Apenas concordou com a cabeça. Já era hora de dar adeus. Lágrimas caíram silenciosas dos olhos da mulher. Ele as enxugou. Desejou boa sorte a ela. Deu as costas e foi embora. Ela, por sua vez, virou de costas e foi para o lado oposto. Nunca mais se viram.

Restos. Rostos. Rastros.

|
Olha só. É o sono. Há muito tempo eu não deixava de abrir a porta para ele. É estranho você recusar uma visita diária. Sono, me desculpe, mas hoje eu não me rendo. Amanhã você pode voltar. Ou até mais tarde. Mas agora não. Não é hora. Quer dizer, na verdade, passa das duas, mas, hoje, eu, simplesmente, quero me livrar destas algemas que me prendem a você. Desculpa. Depois nós fazemos as pazes.

Hoje, eu não quero dormir. Eu quero ficar ouvindo Bossa Nova, fumando cigarros e tomando vodca com gelo até a aurora. Quando o Sol, grande e amarelo, despertar, aí está na hora de eu me desfazer de todo esse mundo que me cerca e me entregar aos benefícios e malefícios do sono pós-álcool. Mais uma dose, por favor.

E aqui está. Meu copo cheio. A garrafa pela metade. Os cubos derretendo no ritmo de lágrimas de gozo. O prazer que faz chorar. O álcool. O gelo. A água. Tudo numa mistura simétrica, que me faz delirar.

A madeira da bancada já está molhada. Uma poça que reflete meus dedos segurando esta caneta que aqui escreve. Esta mesma poça que estraçalhou o fim deste papel. Esta mesma poça que quer me afogar do mesmo modo como fez com meu companheiro celulósico.

Um cigarro me cai bem. Dois. Três. Perdi minhas contas. No cinzeiro, uma montanha daquelas que, alguns minutos atrás, foram minha melhor companhia. Cada uma delas foi o amor da minha vida. Acabaram. Passaram. Foram embora. O que restou agora está no cinzeiro. Estou cheio de restos. Restos. Rostos. Rastros. Sumam! Já é hora de limpar meu cinzeiro.

E a Bossa Nova? Bem, ela continua como sempre foi. Ambiente. Aquela trilha sonora que ninguém nota, mas que sempre está ali. E, sem ela, você não é nada. Tudo acaba. Menos a música. Menos a Bossa.

E a noite continua. O sono bate mais forte do que nunca. Não me rendo! Não hoje. Não agora. Não no ápice de minha embriaguez de nicotina e Tom Jobim. Ainda tem um quarto da garrafa de vodca para tomar e mais uns três cigarros ainda estão no maço. Droga, não vai ter suprimento suficiente para que eu chegue ao nascer do Sol. Já está tudo acabando.

Acendo mais um cigarro. O último? O penúltimo? Não sei. A essa altura já não sei se estou tomando vodca com gelo e fumando cigarros. Posso muito bem estar tomando vodca com cinzas e fumando um cinzeiro com gelo. Não faz mais diferença. Não neste penúltimo copo. Só no próximo. Só no próximo copo. Só no próximo cigarro. Só na próxima vida.

Olha só. Não é que eu estava certo? Como eu disse, tudo acaba. Acabou a vodca. Acabou o gelo. Acabou o cigarro. Acabou o cinzeiro. Acabou a poça. Acabou a cinza. Acabou tudo. Menos a Bossa.

Eu só queria mais uma dose. Só mais uma dose. Uma dose de vodca com gelo. Uma dose de vodca sem gelo. Uma dose de vodca. Uma dose de gelo. Uma dose de vida.

last goodbye

|
- I know it's mad but if I go to hell would you come with me or just leave?
- Don't be such an idiot.
- I know it's mad but if the world were ending would you kiss me or just leave me?
- You know I'd kiss you. You know I'd go to hell with you.
- With me?
- Yeah, with you. You know I love you.
- Do you love me just like I love you?
- No.
- Don't say that.
- I love you so much more than you love me.
- Promise me you'll never leave me!
- I don't have to. I'm never gonna leave you.
- Really?
- No matter what happens. I'm never gonna leave you. Never!

...and then she left me.

mente mente!

|

Simplesmente
É deprimente
Ser demais contente
Ou até talvez sorridente
Quem sabe um dia somente
A gente vá se tornar eternamente
Aquelaspessoastolas,fúteisetalvezridiculamente
Infantis a ponto de pensar que todos inevitavelmente
Serão iguais a todas as pessoas que nós inteligentemente
Chamamosdeamigos,colegasouatéconhecidos.Mastambéminutilmente
Tentamosfazercomqueomundosetorneaquelacoisainconstitucionalissimamente
Idealizadadetalmaneiraqueatémesmoseusidealizadorespensariamquenecessariamente
Nós teríamos feito tudo errado. Isso aqui já era pra ter acabado totalmente
Mas até que eu estou me divertindo. Onde eu estava mesmo? Ah sim, finalmente
Nós,sereshumanosquesomos,um dia,deixaremosdeserassimcomosomos,assimindiscutivelmente
Medíocres.Tãomedíocres.Mastãomedíocres.Ah,serhumanozinhomedíocreesse!É,medesculpe,euequivocadamente
Me empolguei a ponto de não saber mais quando é que eu vou acabar isso aqui. Felizmente
Isso aqui está chegando a um fim. Um fim que não é fim. É uma parte de mente.


Mente brilhantemente mente
Mente Brilhantemente brilha
Mente brilhantemente
Brilhantemente brilha
Brilhante mente mente
Brilhante mente brilha

No divã do Dr. Papel

|
- Por que eu estou chorando?

- Não sei. – É o que ela me responderia se eu a tivesse ligado.

Eu sabia que de nada ia adiantar telefonar para alguém uma hora daquelas. Eu sabia que ninguém ia poder me dizer por que eu estava chorando. Eu sabia que ninguém sabia por que eu estava chorando. Eu sabia que nem eu mesmo sabia por que eu estava chorando. Mas eu estava chorando. Então eu recorri ao meu melhor amigo e psicólogo: o papel. Eu sei que um psicólogo não deve ter vínculos afetivos com seu paciente, mas ele é o único que aceita meu plano de saúde.

"Eu tive um dia terrível. E o pior: nada me aconteceu. Sabe quando você simplesmente tem um dia terrível e a culpa é toda sua? Sabe quando você não tem motivos para estar triste e simplesmente culpa aquela velha ranzinza que era contra todas as leis de trânsito da auto-escola pra justificar sua tristeza ao mundo? Porque você não pode simplesmente estar triste, você precisa de motivos para isso. E eu até tenho, mas quem pergunta 'por que você está triste?' não quer receber 'porque a minha vida é uma merda, eu não sou quem eu quero ser. Eu não agüento mais essa vida de pessoa certinha que faz faculdade e tira notas boas. Eu estou assim porque eu não tenho coragem. Eu quero viajar pra bem longe, mas não tenho coragem. Eu quero trepar com qualquer pessoa que aparecer na minha frente, mas não tenho coragem. Eu quero fumar três carteiras de cigarro de uma só vez, mas não tenho coragem. Eu quero dar adeus a todo mundo que eu conheço e partir, mas não tenho coragem. Eu simplesmente percebi que não tenho coragem suficiente para nada e isso não vai mudar nunca' como resposta. Então eu simplesmente coloco a culpa da minha tristeza em outra pessoa que não eu. Eu estudei isso em 'psicologia para comunicação', acho que o nome é 'atribuição de causalidade’ (ou alguma coisa do tipo). Você precisa atribuir uma causa à sua ação ou ao seu sentimento para justificá-lo para a sociedade (ou para você mesmo já que você também é 'sociedade'), algo mais ou menos assim. Porque você não pode simplesmente ficar triste. Para você ficar triste, você precisa de um motivo para isso já que vão passar o dia todo te perguntando esse motivo. E não há nada pior no mundo do que essas 'preocupações', só te deixam pior. Elas te deixam desesperado por um lugar silencioso, calmo e solitário. Mas é impossível. Esse lugar sem mães que ligam o secador,no seu quarto, irmãos que ficam perguntando o que você está fazendo e padrastos que assistem televisão no último volume não existe. É só ilusão.

Eu quero ficar sozinho! Será que é tão difícil entender? E como ninguém entende, eu mando tudo e todos tomarem no cu quando quem mais merece tomar no cu sou eu mesmo. Eu chamo todo mundo de merda quando a maior merda que existe no mundo é essa que está escrevendo aqui. Eu mando todo mundo pra puta que o pariu, mas não existe filho da puta maior que eu. Eu xingo todos, mas, no fundo, eu estou me xingando. Eu mando todo mundo pra boba da peste do caralho a quatro, mas, no fundo, eu estou me mandando pra um lugar bem mais distante que a boba da peste do caralho a quatro.

Por isso que desisti daquele telefonema. Ela não iria esclarecer minhas dúvidas. Peguei o celular e joguei pro lado. Aí parei no sofá e fiquei sentado. No escuro. Olhando para o nada. E chorando. Chorando mais. Chorando mais e mais. Estava já desistindo de me levantar dali algum dia quando me lembrei que eu não tinha ninguém. Mas tinha você, doutor. Você me entenderia. Você aceitaria todas as minhas respostas. Você nem me faria perguntas, para falar a verdade. Você saberia que eu não queria responder nada pra ninguém. E você conseguiria amenizar a minha dor de algum jeito. Você sempre consegue. Você não fala muito, é claro, mas sempre me entende e nunca vem com perguntas do tipo 'por que você está triste?'. Para mim, não há analista melhor que você. Enfim, voltando...

Eu tinha dito que ia chegar em casa e me enforcar com o varal. Eu pensei que fosse brincadeira minha, mas, no fundo, essa era a minha vontade. Mas eu simplesmente não tenho coragem ,como eu já disse. Não tenho coragem de acabar com a minha tristeza. Não tenho coragem de acabar com essa merda toda.

Bem, acabou meu tempo. Meu plano não cobre mais do que isso por dia. Então... É, então eu já vou. Já foi suficiente por hoje, né? Porque eu não tava querendo me estender muito aqui pra não ter que pagar por fora de novo. Enfim, estou indo. Até a próxima, Dr. Papel"

Pronto, acabou a minha sessão. Até semana que vem.

Cedo é tarde e vice-versa

|
Um conto bem morno e sem graça pra passar o tempo.


- A vida hoje está me parecendo tão mais simples.
- Não. Pelo contrário. Está tudo complicado. Tudo conturbado. Tudo praticamente morto. Não tem como isso ser compreensível.
- Por que você tem sempre que ser tão pessimista?
- Não sou pessimista, sou realista.
- Não vamos começar essa discussão de novo, por favor.
- Mas não foi você que começou a discutir?
- Não. Eu só disse que a vida me parecia mais simples agora.
- E isso gerou uma discussão, então você começou a discutir.
- Por que eu sempre sou a culpada de tudo?
- Eu disse isso?
- Não, mas você sempre arranja um jeito de botar a culpa em mim.
- Olha quem fala.
- Olha quem fala o quê?
- Você começa a discutir e, do nada, põe a culpa em mim. Sou eu que sempre ponho a culpa em você?
- Como você é infantil!
- Eu? Infantil? Essa é a última coisa que eu sou no mundo. Bem que eu queria voltar a ser "infantil".
- Foi modo de falar.
- Pode ter sido qualquer coisa, nada vai me trazer a juventude de volta.
- E pra quê você quer sua juventude de volta?
- Pra viver.
- Mas você está vivo.
- Você me entendeu. A vida já não é mais a mesma. Queria voltar pra época em que não gastava 3/4 da minha aposentadoria em remédios-tarja-preta.
- A época em que você não recebia aposentadoria, você quer dizer.
- Mas recebia coisas melhores.
- Coisas melhores?
- A juventude é muito melhor que a velhice.
- Eu não acho.
- Você não acha?! Você é louca! Por que foi que eu me casei com você mesmo?
- Pelo fato de eu gostar da velhice é que não foi. Eu era muito nova quando me casei. Muito nova mesmo.
- Você se arrepende, é?
- Às vezes.
- Como ousa falar isso a seu marido?!
- Não estou dizendo que me arrependo de ter me casado com você. Eu me arrependo é de ter casado muito cedo. A gente poderia ter esperado um pouco mais.
- Pra quê? Pra ficarmos mais perto da decadência onde nos encontramos hoje?
- Não acho que estejamos decadentes. Pelo menos eu não estou. Eu evoluí, isso sim.
- Evoluiu sim. Evoluiu para um estágio mais avançado de alzheimer.
- Meu corpo está decadente, mas eu não sou só corpo.
- Mas o seu corpo é parte de você.
- Se um pedaço de uma maçã está podre, não quer dizer que a fruta inteira esteja.
- O que é que isso tem a ver com suas entradas francas em bailes da terceira idade?
- Você nunca foi bom com metáforas, não é mesmo? Por que foi que eu me casei com você?
- Ei, essa pergunta é minha!
- Que seja.
- Por que você é sempre tão alheia a tudo?
- Não sou alheia a tudo. Mas agora sei o que realmente vale a pena. E não vale a pena ficar discutindo besteiras da idade com você.
- Eu também sei o que não vale a pena: a velhice.
- Sabe o que realmente vale a pena? Ignorar você de vez em quando.
- Às vezes, tenho uma vontade monstra de te dar uns tapas.
- Homem, para de falar besteira. Você nunca teve coragem de bater em mim e não é agora que vai ter. Agora cale a boca que eu quero dormir. Já é tarde.
- Que horas são?
- Oito e meia da noite.
- Mas já?
- Pois é, já era para eu estar dormindo há um tempão se você não tivesse começado essa discussão.
- Já disse que não fui eu que comecei.
- Eu devia ter filmado o que eu falei pra você ficar discutindo com o vídeo e me deixar dormir.
- Não era você que queria conversar?
- Queria, mas é impossível manter um diálogo com você. Você torna toda e qualquer coisa uma discussão.
- Deixa de teu drama. Você queria conversar sobre o quê?
- Sobre como tudo agora me parece mais simples.
- Como o quê?
- Tudo.
- Tudo?
- É. Tudo.
- Como assim tudo?
- Tudo.
- Por que você é sempre tão monossilábica?
- Aham...
- Não me deixe falando sozinho! Não me ignore!
- Ahn...
- Você está achando o quê? Que só porque eu estou velho eu não sou capaz de nada?
- Hum...
- Duvido que você consiga fazer metade das...

Ele parou de discutir a ouvir o primeiro ronco da mulher. Estava casado com a mesma mulher há mais de cinquenta anos e era sempre assim. Ela começava a conversar. Ele resmungava. Ela rebatia. Ele discutia. Ela ficava de saco cheio. Ele discutia mais. Ela desistia da discussão. Ele persisitia nela. Ela dormia. Ele ficava falando sozinho. Ela roncava. Ele notava. Ela roncava mais. Ele virava. Ela continuava rocando. Ele fechava os olhos. Ela roncava loucamente. Ele dormia. E a discussão acabava.

O que aprendi na auto-escola

|
É incrível como a inspiração me abandona nas horas em que mais preciso. Aquela idéia “genial” nunca aparece em momentos entediantes como uma aula sobre direção defensiva em uma aula teórica de uma auto-escolazinha qualquer. A inspiração sempre vem quando estou lendo algo interessante ou vendo um filme ou conversando ou fazendo qualquer coisa que não seja assistir uma aula sobre direção defensiva super entediante em uma auto-escolazinha qualquer.
Entre a “distância de segmento” e a “distância de reação”, eu me vejo desesperado para sair pela porta-de-hospital que fecha a sala e sair correndo e gritando “FREEDOM!” pelo meio da via dupla de faixas contínuas amarelas e brancas seccionadas em que fica este lugar.
Então eu queria escrever para passar o tempo, mas, infelizmente, o tédio causado pela multa aplicada em alguém que estacionou o carro do lado esquerdo da via levou embora toda a minha inspiração para qualquer coisa que interesse a alguém que não esteja sentado numa cadeira acolchoada ouvindo um bla bla bla constante sobre carros especiais poderem ou não estacionar na calçada. Eu queria escrever um conto! Mas, no máximo, eu conseguiria escrever uma narração pífia sobre alguém que não contou “mil e um, mil e dois”, acabou batendo no carro da frente devido a pequena distância de segmento e morreu embaixo de um ônibus.
- Não, mas eu acho, na minha opinião, que o guarda...
Foda-se o guarda! Foda-se o que você acha! Foda-se a sua opinião! Foda-se o seu pleonasmo vicioso! Foda-se o motorista defensivo! Foda-se a distância de frenagem! Foda-se o DETRAN! Foda-se o CETRAN! Foda-se o avanço de sinal! Foda-se a faixa contínua amarela! Foda-se a faixa branca seccionada! Foda-se o sinal de três tempos da Avenida Rotary! Fodam-se as multas leves, levíssimas, médias, medíssimas, graves e gravíssimas! Foda-se o trânsito! Foda-se a auto-escola! Foda-se o professor de aula teórica! Fodam-se as outras pessoas que estão assistindo aula junto comigo! Foda-se a menina com a blusa “não sou princesa, mas tb bjo sapo”! Foda-se a prova teórica que farei qualquer dia desses! Foda-se tudo essa porra!
Bem, hoje foi/está sendo apenas o segundo dia. Ainda tem mais sete se o sistema não estiver fora do ar. Ainda vão ter muitos dias entediantes. Ainda vão ter muitas ligações desesperadas para os meus amigos. Ainda vão ter muitas vontades loucas de sair gritando “FREEDOM!” pela rua. Ainda vão ter muitos textos sem inspiração por conta do tédio causado pelas passagens e ultrapassagens (Sim! Tem diferença (Sim! Eu não sabia (Sim! São três parênteses))) possíveis de se fazer e pelo direito que não é dado a ninguém ao se usar a sinaleira.
[Pausa para olhar no relógio]
[09:08]
- AINDA?! MEU BRAÇO JÁ ESTÁ DOENDO DE TANTO ESCREVER E AINDA NÃO SÃO NEM ONZE HORAS?! COMO ASSIM?!
[Pausa dramática para respirar fundo, bocejar e concluir]
Vou cochilar enquanto o professor fala sobre a tinta ruim que usam para pintar o meio-fio
Não tenho mais o que escrever.
Fim.


ANEXOS:




MEU REINO POR UMA COCA-COLA E UM COMPUTADOR COM INTERNET!

EU + 1 CAMA + 1 COLCHÃO + 1 LENÇOL + 1 EDREDON + 1 TRAVESSEIRO + ESTE FRIOZINHO = PARAÍSO! ♥

Comprovado cientificamente: motoristas defensivos me dão sono.

Estou cochilando, ligue mais tarde.

Estou cochilando, venha me falar sobre direção defensiva corretiva mais tarde. Ou mais nunca.

da superfície às profundezas

|
Eu não te amo. Eu não quero te ver. Eu não sinto saudade. Eu não penso em você o dia todo. Eu não tenho vontade de te ligar. Eu não ligo pra você. Eu não quero falar com você. Eu não espero a sua janela subir no meu messenger. Eu não olho suas fotos todo dia. Eu não me importo com você. Eu não quero que você fale comigo. Eu não quero você perto de mim. Eu não sinto um pingo de saudade. Eu não sinto um pingo de amor.

Eu preciso não te amar. Eu preciso não querer te ver. Eu preciso não sentir saudade. Eu preciso não pensar em você o dia todo. Eu preciso não ter vontade de te ligar. Eu preciso não ligar pra você. Eu preciso não querer falar com você. Eu preciso não esperar a sua janela subir no meu messenger. Eu preciso não olhar suas fotos todo dia. Eu preciso não me importar com você. Eu preciso não querer que você fale comigo. Eu preciso não querer você perto de mim. Eu preciso não sentir um pingo de saudade. Eu preciso não s um pingo de amor.

Eu não posso te amar. Eu não posso querer te ver. Eu não posso sentir saudade. Eu não posso pensar em você o dia todo. Eu não posso ter vontade de te ligar. Eu não posso ligar pra você. Eu não posso querer falar com você. Eu não posso esperar a sua janela subir no meu messenger. Eu não posso olhar suas fotos todo dia. Eu não posso me importar com você. Eu não posso querer que você fale comigo. Eu não posso querer você perto de mim. Eu não posso sentir um pingo de saudade. Eu não posso sentir um pingo de amor.

Eu não quero te amar. Eu não quero querer te ver. Eu não quero sentir saudade. Eu não quero pensar em você o dia todo. Eu não quero ter vontade de te ligar. Eu não quero ligar pra você. Eu não quero querer falar com você. Eu não quero esperar a sua janela subir no meu messenger. Eu não quero olhar suas fotos todo dia. Eu não quero me importar com você. Eu não quero querer que você fale comigo. Eu não quero querer você perto de mim. Eu não quero sentir um pingo de saudade. Eu não posso sentir um pingo de amor.

Eu te amo. Eu quero te ver. Eu sinto saudade. Eu penso em você o dia todo. Eu tenho vontade de te ligar. Eu ligo pra você. Eu quero falar com você. Eu espero a sua janela subir no meu messenger. Eu olho suas fotos todo dia. Eu me importo com você. Eu quero que você fale comigo. Eu quero você perto de mim. Eu sinto vários pingos de saudade. Eu sinto vários pingos de amor.


Considerações sobre o post: Escrevi isso há um tempão e não queria postar aqui. Mas eu gostei da forma dele, do modo como foi escrito. Desconsiderem tudo o que tem escrito. A pessoa a quem me refiro já passou e espero que não volte mais. E o que eu realmente quis passar com este post, ainda mais sendo postado agora é que nem sempre o que a gente demonstra é o que a gente realmente pensa.